OBSCURE – DIR EN GREY (10/30)

Como citado no post anterior, adotei o codinome Chasefaster e comecei a me aprofundar no mundo J-Rock. Entrava três vezes por dia em sites especializados para baixar as novidades e conhecer novas bandas, materiais e assim repostar nos blog (J-Rock Utilidades e o falecido Chase Faster Music).

Em 2006, eu já estava nos últimos anos da faculdade de Design Gráfico pelo Mackenzie e eu usava o universo J-rock como tema base para os meus trabalhos. Eu gostava mais dos j-rocks gritaria, por exemplo Kagerou, D’espairsRay, girugamesh, MUCC, deadman e Dir en Grey. Eu ia ouvindo no Discman (sim, discman, Anti-Shock!) as músicas mais agressivas possíveis. Eu tinha um certo preconceito comigo mesmo com músicas japonesas muito felizes, muito pop, com garotas cantando e achava que ouvindo as gritarias ia ser melhor, um pensamento meio besta, mas adotado até hoje. Acabou virando o estilo que eu gosto.

A partir daí, fui procurando e ouvindo músicas nesse estilo (salvo algumas bandas mais pop rock). Ouvindo alguns albuns, surgiam músicas mais lentas, mais balada, então peguei o costume de pular essas faixas que eu não gostava, e escutar somente as gritarias. Acabei vendo a necessidade de criar setlists com minhas músicas preferidas. Eu ouvia esses playlists até decorar os riffs e as entradas de voz, batida, gritos… Eu sempre ia criando o setlist, ouvia o dia inteiro, e no dia seguinte, ouvia o setlist de outra banda. Sempre variando entre as bandas que eu já gostava. Virava e mexia, eu espiava as comunidades do Orkut para ver as novas bandas do mesmo estilo para conhecer, e assim foi indo… Até começar a upar Best Ofs em tudo que é blog. Vira e mexe ainda vejo as capinhas que criei no Youtube ou outros blogs de J-Rock/Visual Kei.

Formada em 1997, o Dir en Grey é formado por Kyo (vocalista), Kaoru e Die (guitarristas), Toshiya (baixista) e Shinya (baterista), sua cidade de origem é Osaka e seu som pode ser descrito como Visual Kei (no começo da carreira) e Metal alternativo (nos dias de hoje).



Visual Kei é um movimento musical japonês surgido na década de 80 no Japão. O som mistura rock (metal e punk) e algumas vezes instrumentos de música clássica (piano e violino) criando um estilo próprio, difícil de definir ou rotular. Os integrantes da banda carregavam no visual, com maquiagens extravagantes, utilizando roupas chamativas e/ou femininas, criando uma androginia no palco. As bandas pioneiras nesse estilo: X-JAPAN, D’ERLANGER, BUCK-TICK e DEAD END. Dir en Grey seguiu pelo mesmo estilo no começo da carreira, mas aos poucos, foram ficando mais sóbrios (ou sombrios). Em 2012 fizeram uma turnê com maquiagem de zumbis, bem próprio. Confesso que gosto mais do som hoje. Kyo arrasa nas gritarias, é um som pesado, que você precisa ouvir com seus fones no máximo!

Já fui em dois shows deles aqui no Brasil, em 2009, no Maquinaria Festival, na qual tocaram muitas músicas do album UROBOROS e em 2011, no Espaço Lux, quando promoveram o album DUM SPIRO SPERO. Nessa última visita, eles fizeram a turnê AGE QUOD AGIS, passando pelo México, Canadá, EUA e Chile também. Legal né? Pra uma banda japonesa passar por tantos lugares assim é uma realização e tanto.

Selecionei a música OBSCURE para traduzir toda essa história de J-Rock/Visual Kei para registrar no TOP 30. Convido vocês a assistirem o clipe, a versão não-censurada, acho uma bela arte de edição de video, com temas macabros, bizarros e obscuros nele. Esse clipe é bem chocante, tem cenas de uma gueixa comendo a cabeça de uma criança, uma sala de operações com um paciente deformado na maca, vômitos, sangue, facas, morcegos, acho bem excêntrico. Escolhi esse clipe para para ser explorado num trabalho da Pós-Graduação de Design Gráfico, o tema era Cultura e Sociedade. A proposta era escolher um bairro de São Paulo e mostrar o seu lado mais interessante, de acordo com o olhar de um “flaneur”. A minha ideia era divulgar a cultura japonesa (incluse o J-Rock/Visual Kei) através do Bairro Liberdade, um local típico japonês em São Paulo.

E para transportar para o Bairro, dei uma balinha japonesa para cada aluno, acendi um daqueles incensos maravilhosos de Green Tea e coloquei a música bem alta. Lembro da reação das pessoas na sala, tem gente que comenta comigo até hoje sobre esse video. Uma menina até saiu da sala ahahaha



Letras em Japonês:
Tsurushita akatsuki koyoi de ikutsu “…”

Awanai hada to hada wo shokushite fukami no doko e shizumu
aketa nuno wo kaki wake nagara kawa tainai e fukaku

Hirari hirari to kanashigeni mau someiyoshino ni wa nareru
kegare wa michita biran no tsuki to outo no yoru eguri tore

Omoeteiru no deshou?

Memai iro… yoru ga hajimari hito ga hishimeku
zakuro iro… toge wo sashite anata wa kieru

Himegoto kakusu mishukuji no tsurushita akatsuki koyoi de ikutsu “…”

Blood Baby & Sacrifice

Oboeteiru no deshou?

Kogane iro… toge no oeta kumo ni naritai
namida iro… kioku wo megurasete
memai iro… yoru ga hajimari hito ga hishimeku
zakuro iro… toge wo sashite anata wa kieru

Tradução:
Quantos pendurados esta noite, sob a lua vermelha

Quão fundo isso vai afundar, comendo pele que não emparelha?
A cobra faz seu caminho pelas folhas e dentro do útero

Pode parecer uma cerejeira; uma pétala de flor de cerejeira que dança tristemente
A mancha é a lua que está cumprida, e o vômito à noite começa

Você não se lembra?

Cor de desmaio… a noite inicia-se e as pessoas começam a temer
Cor de romã*… pique com o espinho e desapareça ao longe

Quantos pendurados secretos do bebê prematuro esta noite, sob a lua vermelha “…”

Bebê sangrento e sacrifício

Você não se lembra?

Cor de amarelo dourado… quer ser a aranha que pica
Cor de lágrimas… lembrando as memórias
Cor de desmaio… a noite inicia-se e as pessoas começam a temer
Cor de romã*… pique com o espinho e desapareça ao longe

chasefaster

chasefaster

Me chamo Edu D’Angelo, mais conhecido como Chase Faster! Nasci em Outubro de 1984 (Libra com ascendente em Libra) e sou um Proudly Nerd assumido! Sou apaixonado pelo universo Geek (Action Figures, Comics, Animes, Filmes dos Anos 80, Seriados antigos, Teatro, Circo, Exposições e Shows) e desde 2006, crio um Setlist mensal com as músicas que mais ouvi naquele mês. Dez anos depois, estou aqui relatando tudo o que venho vivenciado por São Paulo, com muita nostalgia oitentista.