[TEATRO] As Ondas ou uma Autópsia

Nesta segunda-feira, dia 02/05, assisti à peça “As Ondas ou uma Autópsia”, em cartaz no Sesc Consolação, Espaço Beta. Baseado no romance “As Ondas” de Virginia Woolf , concebido e protagonizado por Gabriel Miziara. Esta peça é um monólogo que descreve a vida de seis personalidades diferentes: Bernard, Neville, Louis, Rhoda, Susan e Jinny.

Virginia criou estas seis personalidades para si mesma, cada uma com uma característica específica, com seus ideais, desejos e fraquezas. É explorado metaforicamente o que esperar e não superar das expectativas criadas, como lidar com uma realidade que estaria ali, mas não alcançada facilmente. Estes heterônimos exploram as fragilidades da autora, como lidar com o mundo através dessas máscaras?

O termo “autópsia” seria a exploração desse romance de Virginia, um estudo profundo de “As Ondas”. Gabriel Miziara, nu, explora o cenário sob um tanque de água e uma fina chuvinha de mangueira (me pergunto se era água gelada, pois fiquei com frio só de vê-lo ali sob a água).

Cavalinhos de plástico e barquinhos no tanque seriam as personalidades, e uma a uma ele fala de seus anseios, medos, fragilidades e desejos. Seria homem ou mulher o narrador? Fica uma dúvida interessante, quando ele pega o vestido preto de um cabide e o uso de várias formas diferentes, bem dinâmico e direto (figurino concebido por Fause Haten).

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O alcance do amor é questionado, o quanto é difícil achar o amor ideal e perfeito e as cobranças para que o mesmo aconteça. A distância da realização ainda é discutida, trazendo as dificuldades do ser humano em aceitar certas coisas na vida. Particularmente viajei muito nos conceitos abordados nesta peça. Eu prestava atenção em “Amor” e comparava com a minha vida pessoal. “Realização”, e ficava pensando nos meus objetivos de vida. Bem pirante estas questões, não?

A obra toda caminha para um único e solitário tema, a morte. É para lá que todos vamos no final, toda a abordagem discutida termina ali. A forma abordada é muito delicada, muito subjetiva. Gabriel dá um show de interpretação, com um texto incrível, um “lipsync” de Singing in the Rain de Gene Kelly sob uma fina chuva e sua performance corporal focada, concreta e perfeita! Dá muito gosto de ver sua atuação!

Teremos mais duas apresentações dia 03, 09 e 10 de Maio de 2016 lá no Sesc Consolação! Vale a pena! Confira!

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chasefaster

Me chamo Edu D’Angelo, mais conhecido como Chase Faster! Nasci em Outubro de 1984 (Libra com ascendente em Libra) e sou um Proudly Nerd assumido! Sou apaixonado pelo universo Geek (Action Figures, Comics, Animes, Filmes dos Anos 80, Seriados antigos, Teatro, Circo, Exposições e Shows) e desde 2006, crio um Setlist mensal com as músicas que mais ouvi naquele mês. Dez anos depois, estou aqui relatando tudo o que venho vivenciado por São Paulo, com muita nostalgia oitentista.