[TEATRO] Garrincha: Uma ópera das ruas

Em cartaz no Sesc Pinheiros de 23 de Abril a 29 de Maio, “Garrincha: Uma ópera das ruas”, sob a direção de Robert Wilson é um musical brasileiro festivo e criativo. Dividido em 5 cenas com 3 atos cada, o espetáculo conta a vida de Mané Garrincha (1933-1983), o “anjo de pernas tortas”, ponta-direita craque do Botafogo e importante jogador de futebol dos anos 50/60 e quase um anti-herói, conhecido por ter muitas amantes e uma queda por cachaça.

Passagens como sua partida de sua cidade natal Pau Grande, sua participação na Copa de 1958 e 1962, o amor pela Elza Soares (interpretada por Naruna Costa), por suas filhas e a lesão no joelho e como este jogador destruiu sua própria vida são algumas das cenas presentes no espetáculo. Sob interpretação de Jhe Oliveira, um ator baiano que foi instruído a sorrir sempre durante a peça.

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Fiquei bem surpreso com essa peça musical. Conhecia brevemente a vida de Garrincha, mas pedi uma “aula” de sua vida antes do espetáculo para meu irmão, um fanático por futebol. Ele até trouxe um livro com todas as formações dos times, de todas as partidas das Copas do Mundo, vi ali o Garrincha, super presente na copa de 1962, quando substituiu o acidentado Pelé. Eu esperava uma peça biográfica, mas como o diretor defende, ele não quis retratar algo que se lê em livros por aí.

Uma ópera das ruas é uma versão poética e não-literal da vida de Garrincha. Isso fica muito claro no começo, ao vermos sua evolução, sua vida profissional e seus amores (foram muitos) com elementos minimalistas no palco e um jogo incrível de luzes. Sua vida é bem trágica, as cenas mostram suas tristezas, como a morte de sua mãe e as contradições como o relacionamento conturbado com o alcool. Para retratar este alcoolismo, o diretor mostra os atores dançando com uma garrafa de bebida em suas mãos.

Sob o olhar de Bob Wilson, acompanhamos esse musical com muitas passagens divertidas, caras e bocas dos personagens, como eles passando pelo palco pulando e dançando, dizendo frases em repetição. Um elemento bem presente na peça é a música, executada ao vivo, dando uma emoção a mais no espetáculo!

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Bob Wilson defende o uso de luz e de movimentos como elementos principais na cena, um minimalismo gestual. A vida de Garrincha é contada de forma sutil e delicada, mas não deprimente. Essa peça marca a sua primeira produção brasileira. Já havia assistido a peça “Dama do Mar” deste mesmo diretor, e vejo como funciona a sua assinatura teatral: luzes marcantes, sons marcados, rosto pintado de branco em alguns personagens, figurino colorido e movimentos ora acelerados, ora lentos.

É uma peça que estará em cartaz até o final de Maio de 2016 na unidade Sesc Pinheiros em São Paulo. Vale a pena!

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Me chamo Edu D’Angelo, mais conhecido como Chase Faster! Nasci em Outubro de 1984 (Libra com ascendente em Libra) e sou um Proudly Nerd assumido! Sou apaixonado pelo universo Geek (Action Figures, Comics, Animes, Filmes dos Anos 80, Seriados antigos, Teatro, Circo, Exposições e Shows) e desde 2006, crio um Setlist mensal com as músicas que mais ouvi naquele mês. Dez anos depois, estou aqui relatando tudo o que venho vivenciado por São Paulo, com muita nostalgia oitentista.