[ALBUM] Bloc Party – Silent Alarm / A Weekend in the City

Conheci Bloc Party em 2007, durante o meu tempo de estágio na empresa Rex Design. Na época eu fazia estágio e todos os estagiários sepavam suas sextas ou sábadoa para sairmos todos juntos, de bar até balada. Numa dessas saídas, fomos para o clube noturno “DJ CLUB”, onde só toca rock e indie.

Entre os sons de Metallica, Queens of the Stone Age, Arctic Monkeys e The Smiths, tocava muita banda indie, que nunca tinha ouvido falar dentre elas, Bloc Party. Claro que de tanto irmos nesse lugar, acabei decorando a letra da música que mais tocava lá “Banquet”, que estava no topo das paradas indies.

No ano seguinte por coincidência, numa promoção do Fnac Paulista, achei os dois primeiros cds da banda. O Silent Alarm (2005) e A Weekend in the City (2007), ambos em uma super promoção! Levei os dois (e mais um do Muse rs) para conhecer melhor.

Essa época, 2008, eu estava no esquema de passear a esmo pela cidade. Todo sábado era sagrado sair de manhã, curtir a cidade e de noite cair na balada (esquema que amo fazer até hoje rs). Justamente neste ano, eu ia bater perna, ia em sebos, comprava os gibis que eu queria e ia para casa descansar e ler tudo (olha o pique). A trilha sonora, durante um tempo, foram estes dois CD’s do Bloc Party.

Agora pensa em uma tarde cinza, chuvosa, fria (era outono e inverno) e a trilha sonora destes cds me acompanhando nesta leitura? Calma, nem falei sobre estes álbuns, como vocês poderiam imaginar toda essa cena? Pois bem, simples e direto: um rock bem leve e gostoso de ouvir. Perfeito!

Muita gente não gosta desse conceito “indie”, mas você sabe o que é indie? Apenas uma banda que não tem uma gravadora. Ela pode ser mais experimental tendo o seu selo próprio, sem medo de “querer vender”. A denominação “indie” para Bloc Party vem mais da parte de estilo do que não ter uma gravadora, seria um movimento da época, onde nomeavam bandas novas diferentes com esse estilo.

Lançado em fevereiro de 2005, Silent Alarm é o primeiro album da banda e foi nomeado o “Album of the Year” segundo a NME (New Musical Express, uma revista musical britânica, publicada desde 1949) e que alcançou muitas posições boas nas paradas musicais. O album começa com faixas mais agitadas e vai indo para uma linha mais calma. Adoro esse estilo de musicalidade. Sempre nessas setlists mensais que crio faço esse esquema. Começo com uma explosão de som e vai acabando o ritmo, fazendo o seu ouvido querer descansar. Funciona.

As letras, escritas pelo vocalista Kele Okereke examinou os sentimentos e esperanças de jovens e sua posição à frente da política global. Idade entre 18 e 20 anos, Kele explica que foi um período em sua vida em que ele se sentia impotente e cansado, na falta de um sentido existencial de vida. Aquele período de dúvidas quanto ao futuro. Mas ele deixa aberto para os ouvintes terem a sua própria conclusão.

É um album bem “eclético”, pois tem vários estilos ali contidos, o calmo e o agitado, sempre se conversando, se complementando. Foi um album muito bem-vindo pelo público e elogiado pela crítica em 2005, ganhando alguns relançamentos como uma versão Remixed e uma edição com faixas bônus (as b-sides lançadas em singles).

Muitas faixas de Silent Alarm têm um acorde fortemente percussivo, é notável perceber isso no decorrer de sua execução. A faixa “Like Eating Glass” foi inspirada na “There is a Light that Never Goes Out” do the Smiths. A linha de bateria foi mixada mais alta do que o habitual para dar mais ênfase, já que é a música deabertura do álbum. É aquela faixa que já te conquista com a primeira faixa! Essa música transmite o sentimento de completa desorientação ao terminar um relacionamento. Mas ele faz isso de forma fofa, usando metáforas com desenhos infantis, quando o personagem morre e no lugar de sua pupila, ter uma cruz, dizendo que está morto. Fofo e caótico né.

“Helicopter” tem um ritmo rápido de 171 bpm (batimentos por minuto), que já te deixa mega alerta e animado. “Positive Tension” começa com um bassline solitário e acumula ritmo ao longo da faixa, primeiro com um padrão de percussão rítmica, e depois com um solo de guitarra chegando à sua conclusão. “Banquet” envolve dois tipos de guitarra, que criam uma perfeita harmonia (era a faixa que tocava sempre na Dj Club).“Blue Light” tem um ritmo mais lento e crescente no final. 

“She’s Hearing Voices” fala do período de esquizofrenia de um amigo do vocalista, onde tinha que tomar medicamentos pesados para se tratar… “Red pill / Blue pill / Milk of amnesia”. Todas as músicas seguintes tem um lado experimental, “Modern Love” mixa duas vozes diferentes numa só, simulando duas pessoas conversando pelo telefone, mas não podem se tocar. Price of Gas tem os passos de um dos integrantes caminhando no estúdio para usar o som destes passos na faixa. Muito interessante essas experimentações, bem conceituais e legais!

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Silent Alarm (2005)
01. Like Eating Glass – 4:22
02. Helicopter – 3:40
03. Positive Tension – 3:55
04. Banquet – 3:21
05. Blue Light – 2:47
06. She’s Hearing Voices – 3:29
07. This Modern Love – 4:25
08. Pioneers – 3:35
09. Price of Gas – 4:19
10. So Here We Are – 3:52
11. Luno – 3:57
12. Plans – 4:10
13. Compliments – 4:43

A Weekend in the City foi lançado em fevereiro de 2007, mais conceitual e ainda mais calmo que o primeiro. As letras abordam a vida na cidade, desde a vivência com drogas, terrorismo e até dúvidas sobre homossexualidade. Devido a turnê de Silent Alarm, os integrantes tiveram somente um fim de semana em sua terra natal, Londres, a saudades de casa os levou a criar o nome deste album, que conta com uma pegada mais eletrônica, menos experimental.

Kele, explicou: “quero que o album fosse instantâneo, um momento congelado no tempo. Como em uma cidade, com milhares de histórias acontecendo ao mesmo tempo, em camadas em cima uns dos outros … Embora eu poderia estar falando através da voz de um personagem, eu ainda estou expressando, talvez, meus sentimentos”. O album abre com a canção“. Preconceitos contra negros, Guerra Mundial, amigos que morreram, o efeito da cocaína no cérebro, personagens literários e antidepressivos são alguns dos temas usados nas faixas. A pegada mais profunda, mais delicada. Temos hits para dançar na pista e outros para ficar pensando na vida. Esse album combina perfeitamente com seu antecessor. Para mim seguem a mesma linha sonora, que é a identidade da banda.

Uma de minhas faixas preferidas é “The Prayer”, uma de minhas 30 músicas preferidas da vida (conforme postei no meu TOP 30, ao completar trinta anos hehehe). Desde o comecinho da faixa até o refrão, eu fico todo arrepiado, até hoje quando escuto.

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A Weekend in the City (2007)
01. Song for Clay (Disappear Here) – 4:49
02. Hunting for Witches – 3:31
03. Waiting for the 7:18 – 4:17
04. The Prayer – 3:44
05. Uniform – 5:32
06. On – 4:46
07. Where Is Home? – 4:54
08. Kreuzberg – 5:27
09. I Still Remember – 4:23
10. Sunday – 4:59
11. SRXT – 4:51

De modo geral, escute estes albums na sequência, estão disponíveis no Spotify. Ouça num dia nublado e cinza, numa caminhada ou numa leitura. E se apaixone por eles. 🙂 (Para mim é um transporte no tempo, lembro dos gibis que eu lia naquela época, em 2008. Nostalgia pura!)

chasefaster

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Me chamo Edu D’Angelo, mais conhecido como Chase Faster! Nasci em Outubro de 1984 (Libra com ascendente em Libra) e sou um Proudly Nerd assumido! Sou apaixonado pelo universo Geek (Action Figures, Comics, Animes, Filmes dos Anos 80, Seriados antigos, Teatro, Circo, Exposições e Shows) e desde 2006, crio um Setlist mensal com as músicas que mais ouvi naquele mês. Dez anos depois, estou aqui relatando tudo o que venho vivenciado por São Paulo, com muita nostalgia oitentista.