[ALBUM] Grimes – Art Angels

Um breve review do último álbum da banda Grimes (Claire Elise Boucher). Músicas experimentais e o ponto de vista de uma borboleta da Amazônia.

Conheci Grimes por acaso, ao assistir o clipe Genesis, recomendado pelo Youtube. Achei bem new age, um cenário meio pós-apocalíptico, com aquela mina de cabelo roxo empenhando a espada, aquelas trancinhas de vilã vindo da série nerd Tank Girl. Achei bem maluco. Já vi esse clipe diversas vezes. Gostei, porém, nunca fui atrás da banda, nunca procurei saber mais sobre essa tal Grimes… Conhecia o outro single “Oblivion”, por também ter clipe, mas acabou entrando na lista de “bandas para ouvir um dia”.

É boba essa confissão, mas estava lá eu, este ano ainda, fuçando o instagram, quando vejo um pequeno trecho de um video do Carreta Furacão (aqueles caras fantasiados de Fofão, Ben 10, Popeye e Mickey) dançando na rua, com uma trilha sonora bem animada. Confesso que voltei várias vezes esse clipe para ouvir o trechinho desta música. Através de um esquema, coloquei o SoundHound ali do lado do video e quem aparece na tela? Grimes! A música era Kill V. Maim. Não entendo minhas paixões na primeira escutada até hoje. Fui seduzido por The Pop Kids de Pet Shop Boys recentemente, e essa Kill V. Maim virou minha trilha sonora daquele momento.

De tanto escutar esta música, fui procurar o clipe, e foi uma alegria imensa ao ver que segue a mesma linha non-sense de Genesis. A vocalista (que eu acho super fofa e bonitinha) está toda ativa, cantando e destruindo tudo. Dentes de vampiro (que nem cabia na sua boca direito), blusa preta da Versace, um elenco bem geek-freak e ela ali posando de “sou bonitinha, porém sou perigosa” hahahahaha Me conquistou novamente. Assisti os outros clipes disponíveis e fiquei bem encantado com essa temática meio Mad-Max, meio She-Ra, Morlocks dos X-Men e um pouco de elegance avec decadence.

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A banda é basicamente Claire Elise Boucher, artista, musicista e diretora de videoclipes. Responsável pela linha atípica de suas músicas, na qual mistura uma variedade enorme de influências, como industrial, eletrônico, pop, hip hop, R&B e música medieval. Grimes vem de Grime, um gênero musical urbano que surgiu em Londres no começo dos anos 2000, que apresenta um estilo de música puxado para o Hip hop, Ragga, Jungle e Drum&Bass. Claire se apropriou deste estilo e deu uma nova vida a ele, acrescentando toques experimentais.

Através do Spotify escutei seus primeiros albums, que achei bem estranho e fora do comum. O som me parece um new age experimental, com a vozinha da vocalista de fundo, com tom macabro e etéreo, é bem diferentão. Gostei mais de seu último album mesmo, o ART ANGELS, lançado em 6 de Novembro de 2015, que trago um breve review aqui.

Vamos lembrar que ela foge do convencional, você não vai ouvir um rock pesado, nem um new age declarado, nem um pop grude, vai escutar músicas excêntricas, que ela mesmo inventou. E o que é isso?
Segundo a própria artista, seu album seria descrito a partir de uma borboleta na Amazônia:

“É uma perspectiva a partir de uma borboleta à medida em que as pessoas cortam árvores; há uma música que foi escrita a partir da perspectiva dos anjos que estão poluídos, então eles estão chorando lágrimas poluídas.”

Olha a primeira faixa “laughing and not beign normal”, só o título já dá o preview do que esperar deste album. Ela serve de intro para “California”, talvez a faixa mais popzinha do album. Alias é o último video-clipe lançado dela.

“Scream” é aquela faixa estranha, parece ser cantada em francês (que me lembra muito minha amada Mozart l’Opera Rock), mas do nada ela solta uns rugidos insanos. É bem perturbador, se você não estiver acostumado com esse som. No meu caso, eu adoro esses gritos, oriundos de DIR EN GREY (rock japonês, ou melhor, J-Rock). Os gritos dela até que são suaves comparados ao dos japas.

“Flesh without Blood” segue uma linha mais tênue com uns batidões bem gostosos. Alias esse album tem muito essa pegada eletrônica de fundo, que você ouve, mas não entende de onde vem, mas tá ali ó: mexendo o pézinho e o ombrinho hahahaha “Belly of the Beat” tem essas batidinhas também, mas ela soltando uns “AAAAHHH” “EIII UUUOOOUUUUUHHH” (não saberia traduzir onomatopéias decentemente aqui para vocês).

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A seguir uma das melhores músicas que conheci este ano “Kill V. Maim”. A letra faz muito sentido para o que tenho vivido recentemente, apesar do tema de vampiros, máfia italiana e viagens no espaço não ter a ver. Dizem ser a interpretação de Claire para a segunda parte do Poderoso Chefão “But I’m only a man, and I do what I can” hahahaha Ela começa suavezinha e vai para uns batidão, nossa quero muito ouvir isso bem alto, aproveitando essa minha fase baladeira, espero que algum DJ toque hahahaha, mas sem remix eternos, a faixa por si só já é excelente! Gosto dessa vozinha e o jeito que ela engrossa do nada. Do jeito que sou todo emotivo e chorão chega até a cair uma lágrima quando a escuto, tô assim! hahahaha Linda!

A próxima faixa leva o título do album, um ritmo mais praiano pós-apocalíptico, mais underground, cheio de “uuuuuhhh”, faixa bem “fofa”, principalmente no refrão. Sei lá, leva um jeito experimental puxado para os elementos medievais. “Easily” seria a faixa mais grude do album, mesmo assim é bem bonita, uma pegada mais lentinha, pra ouvir tomando um Pó de Diamante na cara (vento gelado desse Outono/Inverno). “Pin” volta com as batidinhas crescente e a vozinha fina de fundo, abrindo espaço para uma das faixas que mais gostei deste album” “REALiTi”. Outra faixa que tem todos os elementos que eu amo numa música: os elementos eletrônicos de fundo, a vozinha etérea, batidinhas crescentes e um refrão sutil. Fecho os olhos e me imagino voando, essa faixa é excelente para isso, dar uma viajada.

“World Princess part II” segue a mesma linha da faixa anterior, mesma fórmula, mas executada de outro jeito, amei do mesmo jeito hehehe Outra faixa que “pirei horrores” foi essa “Venus Fly” batidão eletrônico bem executado. Fico imaginando como deve ser um remix pesado desta música, ela tem todos os elementos para dançar até o chão, fritando na pista, batendo cabelo, pires, panela, tudo isso, ouço muito alto, sem medo de perder a minha audição. Sobe aquela energia Hollywood Horse (que só a Nicki Minaj me desperta… ok, essa foi uma interninha, só meus amigos mais próximos entenderiam, mas não pude deixar de registrar o momento hahahaha).

“Life in the Vivid Dream” vem no tom mais ameno, com uma chuvinha de fundo rolando, e a voz bem suave e calma, te acalmando depois de tanto bater cabelo na faixa anterior hahaha Encerrando este belo album, bem dignamente, temos “Butterfly”, com aquelas batidinhas que falei tanto até agora, num clima meio final de festa, quando você está arrumando a casa com quem sobrou do agito. Ok, está lá arumando, sem deixar de pegar a vassora e dar uma cantada no melhor estilo karaoke freak que pode existir, é a minha cara hahahaha

Enfim, taí um belíssimo album. Ótima pedida para quem quer conhecer uma banda diferente e tenha a cabeça aberta para aceitar que música não é só rock ou pop.

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GRIMES – ARTANGELS (06.11.2015)
01. laughing and not being normal
02. California
03. SCREAM
04. Flesh without Blood
05. Belly of the Beat
06. Kill V. Maim
07. Artangels
08. Easily
09. Pin
10. Reality
11. World Princess part II
12. Venus Fly
13. Life in the Vivid Dream
14. Butterfly

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chasefaster

chasefaster

Me chamo Edu D’Angelo, mais conhecido como Chase Faster! Nasci em Outubro de 1984 (Libra com ascendente em Libra) e sou um Proudly Nerd assumido! Sou apaixonado pelo universo Geek (Action Figures, Comics, Animes, Filmes dos Anos 80, Seriados antigos, Teatro, Circo, Exposições e Shows) e desde 2006, crio um Setlist mensal com as músicas que mais ouvi naquele mês. Dez anos depois, estou aqui relatando tudo o que venho vivenciado por São Paulo, com muita nostalgia oitentista.