[TEATRO] CARMEN – ALIANÇA FRANCESA

Nessa sexta-feira (30 de Junho) conferi a peça CARMEN, direção de Nelson Baskerville. Elenco composto por Flávio Tolezani, Natalia Gonsales e Vitor Vieira, em cartaz no Teatro Aliança Francesa, no Centro de São Paulo.

Pra cituar o que eu faço nos meus reviews: eu sempre comento o que espero, o que vi e o que conclui sobre as peças e filmes que assisti. Portanto, “Carmen”, o que esperar de uma peça com esse nome? Sério, sem ler a sinopse e nada, Carmen me redireciona às pessoas que conheci com o mesmo nome (foram bem poucas). Um personagem marcante que gostaria de citar foi Carmen Maura (Joana Fomm), da novela global dos anos 90 VAMP. Uma viúva mãe de seis filhos, que estudava literatura medieval, vivia citando poemas, versos líricos, claro que eu não entendia nada quando era criança, mas reassisti essa novela em 2015 (até fiz um review), e achei essa personagem tão fantástica, tão poderosa, tão protetora, enfim fabulosa!

Mas o que tem a ver a Carmen de Vamp com a Carmen de Baskerville? As duas foram baseadas na ópera francesa homônima de 1875, de Prosper Mérimée, que contava as aventuras de uma talentosa cigana que tinha como principal diversão dançar, enfeitiçar e seduzir os homens de seu vilarejo. É uma personagem literária super referência. De fato, a cigana não demorou a passar das páginas aos palcos e destes, às telas. No cinema, diversos diretores assinaram adaptações próprias da história, entre eles se destacam Chaplin, Peter Brook, Lubitsch, Saura e Godard. Mas o sucesso da narrativa teve o seu preço. A figura esquiva e inconstante criada por Mérimée foi perdendo espaço para uma “femme fatale”. A cantora Lana Del Rey, por exemplo, lhe dedicou uma música, repaginada para os dias de hoje, toda poderosa e independente.

Com esse background fui assistir a peça, com essas Carmens na cabeça. A sinopse já me adianta que é uma história de amor sob dois pontos de vista, a do homem e a da mulher. Uma tragédia injustiçada. Ao ler fiquei bem curioso para saber o que seria essa injustiça. Já na primeira cena, fui apresentado a três personagens: José, Carmen e um homem com cabeça de touro! Sim! A história se passa em algum lugar da Espanha, com touradas, flamenco, dança típico, um mundo boêmio e burguês. Sou uma pessoa mega visual, e me encantei muito com a cenografia, aquela luz vermelha iluminando o palco, a fumaça densa e calma permeando o palco e a plateia, tudo bem sedutor. O Touro representa a fúria e o sexo, a vontade de destruir e transar, o ator com o corpo semi-nu, dançando com aquela cabeça, interagindo com José e Carmen. Enfim, já me ganhou só com essa primeira cena.

Carmen, vivida por Natalia Gonsales se apresenta como uma mulher forte, destemida, divertida, meio louca, impulsiva, cheia de amor, que não teme a morte, fascinada pelo risco, pela aventura e pela liberdade. Tanto que se envolve com 3 homens e vive brevemente uma relação a três com José e Garcia. José que se encanta por esse jeito livre de Carmen, se torna uma pessoa possessiva e estúpida, a querendo somente para si de qualquer jeito, mesmo que tenha que matar outros!

Sem estragar a surpresa do que se passa na peça, vemos o ponto de um homem machista e o ponto de vista mais elaborado e frágil, de Carmen. Achei maravilhosa a diferença entre esses dois pontos de vista, como se complementam! Um é tão curto e grosso. A outra é tão forte e guerreira. É um belo embate, fiquei bem surpreso e encantado do começo ao fim. Super entendi a parte injustiçada da sinopse, fiquei bem chocado.

É uma peça que vale muito a pena ver, ainda mais com o tema que estamos vivendo, do empoderamento da mulher, contra o desrespeito dos homens, contra o machismo, do respeito à mulher. Tanto assunto ainda para ser desenvolvido.. É uma adaptação provocante e maravilhosa para os dias de hoje!

Carmen fica em temporada de 30 de junho a 20 de agosto. Sexta e sábado às 20h30 e domingo às 19h. Tem duração de 70 minutos e está em cartaz no Teatro Aliança Francesa (Rua General Jardim, 182 – Vila Buarque, São Paulo).

Fotos de Ronaldo Gutierrez

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Me chamo Edu D’Angelo, mais conhecido como Chase Faster! Nasci em Outubro de 1984 (Libra com ascendente em Libra) e sou um Proudly Nerd assumido! Sou apaixonado pelo universo Geek (Action Figures, Comics, Animes, Filmes dos Anos 80, Seriados antigos, Teatro, Circo, Exposições e Shows) e desde 2006, crio um Setlist mensal com as músicas que mais ouvi naquele mês. Dez anos depois, estou aqui relatando tudo o que venho vivenciado por São Paulo, com muita nostalgia oitentista.